Liderança x Gestão


Por Andréa Silva Rasga Ueda em 17/06/2019 | Comentários: 0

 

Para quem já leu livros de gestão ou participou de treinamentos já está escolado na diferença entre liderança e gestão. Por isso, e porque não sou expert no quesito recursos humanos, vou me ater à diferenciação prática desses dois formatos de agir do gestor de um departamento jurídico de uma corporação.

Procedimentos, planilhas, modelos de como escrever e-mails, padrões de formatação e escrita de texto, relatórios, metas padronizadas e burocráticas, sem o sentido educacional e motivador, sobre o qual já tratei em outro texto. Essas são as ferramentas usadas pelos gestores ou chefes de jurídicos de corporações, que não têm a menor ideia do que é ter uma equipe em suas mãos, pronta para empenhar-se e dar o seu melhor, mas que, por força do uso de tais ferramentais, acaba se tornando idiotizada e robotizada no cumprimento das tarefas.

Gerir é importante, mas sequer acredito que a forma acima indicada é a melhor. O gestor pode não ter a verve de um líder (e muitos mesmo não a têm e não a terão; não há curso para criar a liderança, apenas para melhorá-la), mas, com certeza, para ser gestor ou chefe deve ter e saber gerir. Ser o maestro da equipe e não mover fios como se fossem marionetes.

Para isso deve-se conhecer os seres humanos por trás de cada advogado; tem que se empenhar em customizar atividades e tratos e não jogar com padrões e procedimentos como se fossem todos seres sem raciocínio. Tem que querer...sim, querer, desejar, amar fazer a gestão humana e não se apossar de um cargo pelo título, status ou porque lá o colocaram.

Infelizmente, existe uma grande tendência no mundo jurídico das corporações em criar a massa amorfa de advogados que produzem e reproduzem padrões, sob a batuta do pretenso gestor, preocupado apenas em cumprir as tarefas, os prazos, as metas burocráticas, sem se ater ao fator primordial por detrás de todas as atividades desenvolvidas nesse jurídico: o humano, o que ser que pensa, tem ideias, quer sugerir mudanças, fazer melhorias, romper padrões arcaicos.

Se muitos sequer são gestores, quiçá líderes! Liderar implica estar junto, levar e elevar o espírito ao grau de desprendimento e aprendizado que requer a liberdade de pensar e agir, puxar a equipe, deixando-a que traga suas contribuições em termos de melhorias. O afamado empoderamento está aí e daí advém a empolgação em continuar trabalhando e dando seu melhor.

Já vivenciei situações onde o chefe, que julgava estar liderando, empurrava as atividades para o gerido, mas sem qualquer apoio, orientação ou sentido de dar-lhe liberdade para atuar: deveria agir como mero cumpridor de tarefas. Achava que liderar era apenas dar ordens, mandar executar atividades, dar o serviço por cumprido.

Liderar não é algo que todos os chamados gestores sabem fazer: alguns têm essa habilidade e a desenvolverão outros não a têm e nunca a terão. Mas, então, saibam as diferenças e, acima de tudo, saibam gerir. Essa é tarefa exigida e exigível dos chefes de equipes. Se não sabe, vá aprender. Essa, sim, pode ser ensinada.

Mas não arroguemos posturas e posições que não temos, disfarçando os erros e falhas aos olhos dos demais chefes e, pior, frente à sua equipe. É feio, desnecessário e faz você perder pontos, além, é claro, de perder os da equipe que têm coragem para mudar.

 

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Sobre o autor

Andréa Silva Rasga Ueda

Bacharel (1993), Mestre em Direito Civil (2009) e Doutora em Direito Civil (2015), todas pela USP, atuando como advogada desde 1994, tendo atuado até 2006 em escritórios próprio e de terceiros (médio e grande portes), com grande experiência no consultivo e contencioso civil (especialmente em contratos), comercial, societário (elaboração de atos societários de Ltdas. e S.As, de capital aberto e fechado; participação em M&A, IPOs, Private Placement), bem como em transações imobiliárias e questões envolvendo mercado de capitais e compliance. De 2007 até 2018 criei e gerenciei departamentos jurídicos de empresas nacionais e transnacionais. Atualmente atuo como consultora jurídica corporativa e como diretora jurídica na startup de geração distribuída Sunalizer, com atuação nacional e internacional. Forte experiência no regulatório de energia e GD, de 2007 a 2012 e 2018-atualmente, de mercado de capitais e de construção de torres para suporte às antenas de empresas de telecomunicações (desde 2013). Professora da Escola Superior da Advocacia (ESA-SP), entre 2001 e 2002, na matéria de Prática em Processo Civil, bem como assistente de professor na matéria Direito Privado I e II, na Faculdade de Direito da USP, durante o ano de 2007. Especializações: Consultivo civil/empresarial (Contratos) e societário; M&A e atuação em estruturações de operações financeiras; mercado de capitais; regulatório de energia e telecomunicações. Meu site é: deaalex.wordpress.com. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/6450080476147839


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