A interligação entre o gestor e a sua equipe jurídica

Proatividade, energia, resiliência e foco


Por Andréa Silva Rasga Ueda em 24/05/2019 | Comentários: 0

 

Aproveitando já ter falado de mudanças em artigo anterior, creio que não só os gestores, mas os geridos igualmente sofrem quando se fala em mudar, transformar ideias, inovar, pensar fora da caixa e tantas outras expressões que se alastram no mundo corporativo.

Já refleti sobre a necessária presença do gestor nesse cenário de mudanças: figura chave a impulsionar suas equipes para enfrentar o tormentoso caminho de se reinventar, mudar rotinas, repensar. Mas acredito que tão importante quanto o gestor ter essa visão e ser o propulsor e exemplo de atitudes, os geridos, as equipes jurídicas devem ser proativas a ponto de mudarem a mentalidade também.

Infelizmente não é isso que se vislumbra no mercado. Ao contrário, o que se vê com frequência são advogados que sequer têm interesse em aprofundar conhecimentos em seus campos de atuação, quanto mais se disporem a pensar além. E isso é agravado quando temos a figura de um gestor, ou mais de um, nas hipóteses de diretor e gerente ou gerentes, que são complacentes com a mesmice, com a ausência de interesse e motivação, com a atitude apalermada, enfim, com a vida profissional estéril.

E isso porque se diz aos quatro ventos que cada qual é senhor de sua carreira – não deve aguardar que o outro defina por você os caminhos a trilhar -, que devemos ser automotivados, proativos e focados em realizações para além do mero dia a dia, do mero fazer o que se tem ou deve fazer.

O que é importante deixar evidenciado é que tanto as equipes são responsáveis, cada qual por si e em conjunto perante a companhia, quanto os seus gestores, igualmente, por aceitar e/ou buscar mudanças, deixando a pasmaceira de lado e indo ao encontro de novos pontos de vista, novas formas de fazer e não manter mais do mesmo.

De qualquer forma, não temos como escapar: quão importante o gestor é no dia a dia da corporação, das equipes, ao ponto de poder, ainda que contrariando o ditado popular, prejudicar carreiras, pessoas, deformando seus campos de atitude e visão e moldando os mesmos em formas rasas.

O contrário também pode ocorrer: as equipes deixando o gestor com a boca mais torta pelo cachimbo que lhe foi posto e mantido sob uma aparente ilusão de normalidade. Equipes que toleram a mediocridade e o comodismo, só para se manter em um posto de trabalho, em uma posição de aparente status profissional, mas que se rendem à mesmice, ao conformismo, ao deixar de pensar.

Uma vez ouvi da boca de um gestor jurídico corporativo que era melhor terceirizar a elaboração de contratos e negócios jurídicos (que, na verdade, eram o core business da empresa), pois se poderia cobrar o advogado externo pelos erros cometidos, pressioná-lo pelo prazo mais exíguo na entrega do trabalho, glosar horas trabalhadas para moldar a fatura ao orçamento, agindo como mero “auditor”, em suma, fugir às suas responsabilidades de pensar, desenhar novos modelos de negócios jurídicos, engajar a equipe para estudar mais e ampliar suas capacidades técnicas. É mais simples, é mais fácil, é menos dolorido, é mais do mesmo.

Equipe e gestor são um só aos olhos da empresa! Não despreze essa sinergia, caso contrário, os resultados poderão ser desastrosos...

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Sobre o autor

Andréa Silva Rasga Ueda

Bacharel (1993), Mestre em Direito Civil (2009) e Doutora em Direito Civil (2015), todas pela USP, atuando como advogada desde 1994, tendo atuado até 2006 em escritórios próprio e de terceiros (médio e grande portes), com grande experiência no consultivo e contencioso civil (especialmente em contratos), comercial, societário (elaboração de atos societários de Ltdas. e S.As, de capital aberto e fechado; participação em M&A, IPOs, Private Placement), bem como em transações imobiliárias e questões envolvendo mercado de capitais e compliance. De 2007 até 2018 criei e gerenciei departamentos jurídicos de empresas nacionais e transnacionais. Atualmente atuo como consultora jurídica corporativa e como diretora jurídica na startup de geração distribuída Sunalizer, com atuação nacional e internacional. Forte experiência no regulatório de energia e GD, de 2007 a 2012 e 2018-atualmente, de mercado de capitais e de construção de torres para suporte às antenas de empresas de telecomunicações (desde 2013). Professora da Escola Superior da Advocacia (ESA-SP), entre 2001 e 2002, na matéria de Prática em Processo Civil, bem como assistente de professor na matéria Direito Privado I e II, na Faculdade de Direito da USP, durante o ano de 2007. Especializações: Consultivo civil/empresarial (Contratos) e societário; M&A e atuação em estruturações de operações financeiras; mercado de capitais; regulatório de energia e telecomunicações. Meu site é: deaalex.wordpress.com. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/6450080476147839


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