O gestor jurídico e as imprescindíveis mudanças de rumos

Sair da zona de conforto


Por Andréa Silva Rasga Ueda em 23/05/2019 | Comentários: 0

 

O nosso papel de gestores de departamentos ou equipes jurídicas não é simples: temos, como já falei, uma formação acadêmica muito formal, tradicional, mas trabalhamos com os mais diversos tipos de atividades corporativas que, cada vez mais, exigem que nós, advogados, pensemos “fora da caixa” e para além da restrita visão legalista.

Pois bem. O gestor jurídico não pode, inadvertidamente, desprezar os parâmetros técnicos e legais existentes e necessários para o exercício da boa advocacia e para a segurança jurídica que tanto se espera por parte de nossos clientes internos (nas corporações) e externos (nos escritórios de advocacia), mas deve estar atento às mudanças sociais, econômicas, políticas e, portanto, às necessidades prementes, cambiáveis e altamente tecnológicas de seus clientes.

Como compatibilizar ambos os papéis? A base é estar disposto a aceitar mudar, se ajustar, aprender e empreender. Isso exige mudanças de mentalidades, muitas vezes bater de frente com certas posições dentro das empresas, abrir-se com sua equipe (expor os problemas, as dificuldades, as suas dúvidas e ouvir, dar crédito para ideias, ganhar parceiros), repensar sua forma de gestão e resolução das questões (não aceitar passivamente só porque a “política da empresa diz isso”, ou porque a “matriz sempre manda fazer assim”), enfim, querer mudar, adaptar, se adaptar.

Chefes de cabeça engessada, comodistas, passivos mantêm equipes tristes, desanimadas, irritadiças, sem proatividade, sem inteligência emocional, como já disse, os “braços curtos”.

Sei que para tudo isto que estou falando existem textos de administração e gestão de pessoas que apresentam soluções e caminhos a trilhar; mas o que quero evidenciar aqui é que, os gestores jurídicos de plantão, por saberem que o jurídico é uma área ou um segmento demandado para dar segurança, acabam desdenhando essas visões administrativas e voltando olhares apenas para o foco jurídico-legalista, o qual, no geral, subtrai toda sorte de mudanças passíveis de serem implementadas sem se perder a segurança necessária.

Gestores de equipes jurídicas corporativas tendem a se afastar das mudanças, refutá-las, dizendo, muitas vezes, que “é assim que as coisas funcionam aqui”, “não temos como mudar”, “os nossos gestores são gringos e é assim que querem...”, tudo com respaldo na alegada “formalidade” e respeito às regras que todo jurídico deve guardar.

No fundo esses argumentos são apresentados para se fugir ao enfrentamento das novidades que exigem saiamos das zonas de conforto.

Assim, muito ao contrário, os gestores jurídicos devem avaliar os problemas, desenhar alternativas junto com suas equipes, estruturar uma ou mais apresentações e mostrar aos “gestores” acima deles que a mudança é possível, melhor, necessária, e que isso trará benefícios a todos: corporação, gestores, equipes. E não se acovardar frente às necessárias alterações, acobertando-se do manto do “precisa ser assim”; “não tenho voz”; “sou também mero subordinado”...

Quer mudanças, quer melhorias na equipe, quer empolgação, quer união entre os membros, quer comunicação fluída: pare de se esconder, de se justificar, de alegar que a cúpula não quer. Tome a força de sua equipe, enquanto conjunto, e suas ideias, suas posições, suas dúvidas, suas necessidades, suas certezas e torne todas elas os subsídios de seus discursos de melhorias necessárias a serem feitas.

Deixar a água rolar, atuar só no seu quadrado, não se envolver e não tomar as rédeas para si é o atestado de quem não tem capacidade sequer vontade de ser gestor (de quem não sabe e não está nem aí) e, quiçá, de ser líder.

Sair da zona de conforto tradicional é imprescindível para o bom gestor jurídico. O retorno é fantástico.

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Sobre o autor

Andréa Silva Rasga Ueda

Bacharel (1993), Mestre em Direito Civil (2009) e Doutora em Direito Civil (2015), todas pela USP, atuando como advogada desde 1994, tendo atuado até 2006 em escritórios próprio e de terceiros (médio e grande portes), com grande experiência no consultivo e contencioso civil (especialmente em contratos), comercial, societário (elaboração de atos societários de Ltdas. e S.As, de capital aberto e fechado; participação em M&A, IPOs, Private Placement), bem como em transações imobiliárias e questões envolvendo mercado de capitais e compliance. De 2007 até 2018 criei e gerenciei departamentos jurídicos de empresas nacionais e transnacionais. Atualmente atuo como consultora jurídica corporativa e como diretora jurídica na startup de geração distribuída Sunalizer, com atuação nacional e internacional. Forte experiência no regulatório de energia e GD, de 2007 a 2012 e 2018-atualmente, de mercado de capitais e de construção de torres para suporte às antenas de empresas de telecomunicações (desde 2013). Professora da Escola Superior da Advocacia (ESA-SP), entre 2001 e 2002, na matéria de Prática em Processo Civil, bem como assistente de professor na matéria Direito Privado I e II, na Faculdade de Direito da USP, durante o ano de 2007. Especializações: Consultivo civil/empresarial (Contratos) e societário; M&A e atuação em estruturações de operações financeiras; mercado de capitais; regulatório de energia e telecomunicações. Meu site é: deaalex.wordpress.com. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/6450080476147839


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