Você é o espelho

A gestão pelo exemplo


Por Andréa Silva Rasga Ueda em 21/05/2019 | Comentários: 0

 

Conforme textos anteriores, sempre destaco o papel educativo que o gestor deve ter para com seus geridos; sempre mais por seus atos do que por suas palavras, o gestor deve ser um guia para os membros de sua equipe.

Perpassei por esse tópico em texto anterior.

Não basta ficar cobrando verbalmente de sua equipe atitudes proativas, de empenho técnico e pessoal, de interesse por temas além dos jurídicos (isto em especial para os que trabalham em departamentos jurídicos de empresas), de participação em cursos, de motivação, enfim, falar e não fazer.

Já me deparei com chefes de jurídicos corporativos que cobravam a participação em cursos, a criação de novidades dentro do departamento, a motivação entre as equipes para melhoria da comunicação, o aumento e a melhoria no desenvolvimento das atividades técnicas com o uso dos advogados internos, mas nada disso fazia parte das atividades rotineiras desses gestores, ou seja, nada do que “pregavam” para ser feito era exemplificado em atos seus: não os via participando de cursos; não traziam inovações; não motivavam as equipes, até porque, como disse em texto anterior, talvez não conhecem os seres humanos por trás de cada advogado; não incrementavam o desenvolvimento das atividades técnicas dos advogados internos, pois terceirizavam todas as atividades que exigissem um pouco mais de “tutano” (descrédito na equipe interna? Medo? Insegurança? Ausência de preparo na gestão?), enfim, aplicavam o “faça o que eu mando, mas não faça o que faço”.

Esse tipo de chefia é mais deletério do que aquele que pratica atos de arbitrariedade, pequeno poder e controle extremo: a omissão, a falta de um bom exemplo que gere a motivação (ou o empolgamento) da equipe e a ausência de interesse pelos membros da equipe são os elementos companheiros e impulsionadores de profissionais empacados, irritadiços, emburrecidos, mal-humorados, e, como digo sempre, os famosos braços curtos.

Não é fácil estar bem-humorado, interessado, focado e motivado, praticando, todos os dias no ambiente de trabalho atos que sirvam de um bom exemplo a seus geridos. No entanto, o gestor deve estar sempre predisposto a mudar sua postura diária, pois, sem esses elementos para uma boa gestão, conseguirá minar, rapidamente, gérmens de uma equipe coesa, proativa, estimulada e focada nos objetivos comuns da corporação.

Mas esse é um dos grandes desafios do gestor e um passo importante para a liderança, papel que explorarei em breve.

Pratique o que quer disseminar. Não finja que o faz alegando que cada um é senhor de sua própria carreira: isso é verdade relativa, pois, sim, cada um é dono de sua carreira, mas se não houver motivação por parte do gestor, está aberto o flanco para acomodados na carreira dentro da corporação (funcionários com estabilidade na iniciativa privada...), gerando prejuízos incalculáveis a todos ou, para os que têm as rédeas de suas carreiras, a saída em busca de locais para seu crescimento.

 

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Sobre o autor

Andréa Silva Rasga Ueda

Bacharel (1993), Mestre em Direito Civil (2009) e Doutora em Direito Civil (2015), todas pela USP, atuando como advogada desde 1994, tendo atuado até 2006 em escritórios próprio e de terceiros (médio e grande portes), com grande experiência no consultivo e contencioso civil (especialmente em contratos), comercial, societário (elaboração de atos societários de Ltdas. e S.As, de capital aberto e fechado; participação em M&A, IPOs, Private Placement), bem como em transações imobiliárias e questões envolvendo mercado de capitais e compliance. De 2007 até 2018 criei e gerenciei departamentos jurídicos de empresas nacionais e transnacionais. Atualmente atuo como consultora jurídica corporativa e como diretora jurídica na startup de geração distribuída Sunalizer, com atuação nacional e internacional. Forte experiência no regulatório de energia e GD, de 2007 a 2012 e 2018-atualmente, de mercado de capitais e de construção de torres para suporte às antenas de empresas de telecomunicações (desde 2013). Professora da Escola Superior da Advocacia (ESA-SP), entre 2001 e 2002, na matéria de Prática em Processo Civil, bem como assistente de professor na matéria Direito Privado I e II, na Faculdade de Direito da USP, durante o ano de 2007. Especializações: Consultivo civil/empresarial (Contratos) e societário; M&A e atuação em estruturações de operações financeiras; mercado de capitais; regulatório de energia e telecomunicações. Meu site é: deaalex.wordpress.com. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/6450080476147839


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