Cuidado com os holofotes

A arte da boa educação no papel do gestor jurídico


Por Andréa Silva Rasga Ueda em 17/05/2019 | Comentários: 0

Relacionado ao tema do texto publicado em 17.05.2019, a respeito do papel educacional do gestor de pessoas ou chefe de equipe jurídica, vou tratar de um assunto que me constrange muito, pois já o vivenciei inúmeras vezes: o papel de “bobo da corte” do gestor jurídico.

Em diversas situações profissionais nos deparamos com atividades que exigem ao extremo do profissional, quer seja só o chefe quer seja da equipe toda, acompanhadas de tamanho estresse, físico e emocional, que, ao final da tarefa cumprida, o alívio é tão grande que nos impele a praticar certos atos, os quais, passados os minutos da euforia, nos colocam em situações de constrangimento.

Fechamentos de grandes e importantes contratos, de operações de estruturação de dívidas, abertura de capital de empresas, processos de fusões e aquisições, enfim, toda a sorte de negociações jurídicas, que podem envolver mais de dúzia de profissionais, os quais precisam eliminar a adrenalina gerada. Aqueles de vocês que já vivenciaram alguma ou algumas tantas, conhecem muito bem a sensação.

Alguns resolvem comemorar ao redor de mesas de bar, restaurantes, em jantares, almoços ou happy hours, o que, tirando os possíveis excessos alcoólicos, acabam restritos àquele bate-papo pós-closing.

Mas outros extrapolam e, dentro do ambiente de trabalho, praticam algumas atitudes que causam, no mínimo, certo estranhamento. E, nos dias atuais, podem gerar algo mais: vazamento para a Internet, via os mais diversos aplicativos disponíveis...já que se deixam filmar e fotografar, acreditando que estão “abafando”.

Não sou tradicionalista ao ponto de entender que esses momentos de alegria não devam ocorrer: estourar um espumante no escritório, festejar com os colegas de equipe que participaram, mandar e-mails de felicitações à equipe, com cópia ao presidente da empresa, enfim, coisas regulares e simples que, a um só tempo, veiculam a boa notícia, unem os que atuaram arduamente e os parabeniza pelo resultado alcançado.

Mas daí a subir na mesa, gritar no meio da empresa, fazer malabarismos circenses, ou se fantasiar e desfilar pelo ambiente de trabalho, e tudo sob os atentos e coniventes olhares das câmeras, entendo ser um pouco demais. E já vi de tudo isso e mais um pouco ao longo destes anos, podem acreditar!

Para além das situações de “comemoração” que destaquei, há outras nas quais os chefes ou gestores jurídicos igualmente se expõem: deixar que brincadeiras dos membros de sua equipe para consigo, de forma despropositada, em locais inadequados (em meio a reuniões, por exemplo) e de forma até deselegante, tornem a figura desse chefe ou gestor desrespeitada, jocosa, abrindo flanco para a imaturidade profissional.

O respeito que queremos que tenham por nós advém das situações nas quais nos damos a tal respeito. É certo: essas atitudes são portas abertas para que o respeito deixe de existir, quer na frente dos demais quer de forma reservada, entre os subordinados e os referidos chefes.

Deixar um ambiente de trabalho descontraído em nada se assemelha a criarmos uma espécie de arena circense, o que, em última instância, gera um clima não profissional.

Como disse anteriormente, o gestor tem um papel educacional de suma importância e, atrelado a esse, está o elemento do respeito pelo seu subordinado e deste para com seu chefe.

Situações como essas se equiparam às festas de final de ano, onde uns bebem demais, fazem e falam coisas demais e depois...

E, por fim, para já deixar uma trilha para o tema do próximo texto, este festejar de modo constrangedor em nada tem a ver com a capacidade de “empolgar” sua equipe.

Pense antes de festejar atabalhoadamente ou de permitir que sua equipe tome atitudes infantis. Regozije-se de seus feitos e dos de sua equipe, parabenize a todos os envolvidos, dissemine a boaventura e a alegria, mas sem se expor a situações que o coloquem em “saia justa” ou que eliminem o respeito e o profissionalismo.

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Sobre o autor

Andréa Silva Rasga Ueda

Bacharel (1993), Mestre em Direito Civil (2009) e Doutora em Direito Civil (2015), todas pela USP, atuando como advogada desde 1994, tendo atuado até 2006 em escritórios próprio e de terceiros (médio e grande portes), com grande experiência no consultivo e contencioso civil (especialmente em contratos), comercial, societário (elaboração de atos societários de Ltdas. e S.As, de capital aberto e fechado; participação em M&A, IPOs, Private Placement), bem como em transações imobiliárias e questões envolvendo mercado de capitais e compliance. De 2007 até 2018 criei e gerenciei departamentos jurídicos de empresas nacionais e transnacionais. Atualmente atuo como consultora jurídica corporativa e como diretora jurídica na startup de geração distribuída Sunalizer, com atuação nacional e internacional. Forte experiência no regulatório de energia e GD, de 2007 a 2012 e 2018-atualmente, de mercado de capitais e de construção de torres para suporte às antenas de empresas de telecomunicações (desde 2013). Professora da Escola Superior da Advocacia (ESA-SP), entre 2001 e 2002, na matéria de Prática em Processo Civil, bem como assistente de professor na matéria Direito Privado I e II, na Faculdade de Direito da USP, durante o ano de 2007. Especializações: Consultivo civil/empresarial (Contratos) e societário; M&A e atuação em estruturações de operações financeiras; mercado de capitais; regulatório de energia e telecomunicações. Meu site é: deaalex.wordpress.com. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/6450080476147839


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