O gestor jurídico e seu mais destacado papel

Como fazer uma gestão humana de excelência


Por Andréa Silva Rasga Ueda em 16/05/2019 | Comentários: 0

A busca por excelência nos trabalhos que exigem relacionamento humano constante nunca esteve mais em alta, quer por conta das premências do dia a dia, quer por conta das necessidades que desenvolvamos nossas soft skills de modo amplo e em prol de uma melhor interligação com os membros de nossas equipes.

Pensando num enfoque voltado para um público composto por advogados, na sua maioria, de escritório, julguei interessante trazer publicações neste espaço que tenham reflexões sobre as relações humanas dentro dos departamentos jurídicos corporativos  (entre geridos e gestores) e entre estes e os seus prestadores de serviços jurídicos externos (os escritórios de quaisquer portes), de modo a poder contribuir um pouco nas interfaces entre ambos e, em especial, mostrar os bastidores das corporações que poderão ajudar o público alvo da nossa plataforma.

Nesse sentido, este primeiro artigo trará uma análise sobre a base da formação técnica dos juristas, as faculdades de direito, em contraposição à postura dos gestores corporativos.

Logicamente, sem entrar no mérito sobre as qualidades ou defeitos de uma ou outra, qualificações de professores, grades curriculares, tempo de duração do curso, carga horária prática e teórica, entre outros tópicos afetos mais a questões de metodologia de ensino, as bases que recebemos nas faculdades acabam gerando certas “distorções” na nossa atuação.

Sou uma profissional formada em décadas passadas (me formei em 1993), mas justamente por atuar como advogada desde essa época e, já tendo recebido levas de profissionais, quer enquanto estagiários quer enquanto advogados, em minhas mais variadas equipes de trabalho, em escritórios ou departamentos jurídicos de empresas, percebo em todos eles, ao menos, um ponto comum: falhas na escrita, no raciocínio lógico e, acima de tudo, a natural imaturidade profissional.

Certamente isso não é geral: há exceções; mas são mesmo exceções!

Chovendo no molhado? Sim, mas quero alertar aos profissionais de plantão: a correção desse aspecto pode e deve existir. Basta que os gestores desses profissionais lançados ao mercado arregaçarem as mangas e executem seus papéis educacionais. Mas não se deveria corrigir na origem? Sim, mas enquanto temos falhas no sistema educacional, resta ao profissional que gere equipes fazer as vezes do “professor” de plantão.

E tais falhas vão desde as básicas até as mais perigosas, substanciadas em redações que não têm início, meio e fim; que estão escritas mas não dizem nada, ou pior, que dizem algo errado e que são enviadas para autoridades públicas, para diretores de empresas, para entidades internacionais, enfim, que possuem os mais diversos destinatários e, portanto, podem trazer os mais diversos tipos de problemas.

E não estamos sequer falando do conteúdo jurídico, que é um outro capítulo! E esses textos aparecem em e-mails (e dizem os mais incautos: “são meros e-mails”! mas que não percebem que, muitas vezes, são até mesmo aditivos a contratos travestidos de correios eletrônicos...), em contratos, em cartas, em memorandos de entendimentos, em cartas de intenções, em toda a sorte de tipos de documentos.

Ocorre que a maioria dos gestores não possui paciência, interesse, dedicação e, muitas vezes, motivação para exercer esse papel educacional e os geridos acabam cometendo erros que podem levá-los a paralisar seus avanços profissionais, ante represálias sofridas; entrar numa seara de erros constantes e que acabam por se consolidar; gerar danos em alguma negociação que podem ser, até mesmo, irreparáveis; não saber exatamente onde erraram e como poderiam ter feito melhor, enfim, uma sorte de problemas de formação humana que redundarão em profissionais com falhas graves. E o ciclo vicioso se perpetua.

Enfim, a ideia é apenas alertar aos mais desavisados que o gestor jurídico é, acima de tudo, gestor humano, que tem em suas mãos um material de extrema importância, que requer paciência no trato, para impor melhorias constantes e receber respostas condizentes com a evolução profissional, e não um passar de mãos quando simplesmente cumpre suas tarefas. Esta é a parte mais fácil!

E nesta seara de atividades de gestão humana, quer enquanto chefes de equipes quer meramente tendo um profissional que lhe é subordinado, o gestor tem que romper as amarras da mera avaliação de atingimento de metas – sim ou não – e ir além: debruçar-se sobre aquele profissional a ser avaliado, que está em processo de crescimento profissional, e perscrutar seus interesses, a forma como quer atingi-los, sua vocação profissional, sua visão de curto, médio e longo prazo sobre si mesmo, em suma, o que aquele ser humano tem em vista, sob seu foco, quer profissional quer pessoalmente, pois, sem essa medida de grandeza, o gestor não poderá desempenhar essa que é uma das atividades mais complicadas, qual seja, a educacional.

Dos bancos acadêmicos os profissionais nunca sairão prontos! Portanto, não adianta culparmos as faculdades. Sim, melhorias constantes devem ser implementadas (sempre!), mas nunca dispensarão o papel relevante educacional dos “chefes”, gestores ou superiores imediatos nas equipes jurídicas.

Posso lhes afirmar com a maior convicção: vale cada segundo investido!

Advogados internos ou externos: se possuem material humano sob sua liderança e gestão, ensine-os, foque parte de seu tempo em treinamento comportamental para audiências e reuniões com clientes ou potenciais clientes; abusem de testes de redação e aulas de raciocínio lógico para melhorias de textos; se preocupem com o lado humano dos advogados que trabalham em sua equipe. Todos sairão ganhando.

 

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Sobre o autor

Andréa Silva Rasga Ueda

Bacharel (1993), Mestre em Direito Civil (2009) e Doutora em Direito Civil (2015), todas pela USP, atuando como advogada desde 1994, tendo atuado até 2006 em escritórios próprio e de terceiros (médio e grande portes), com grande experiência no consultivo e contencioso civil (especialmente em contratos), comercial, societário (elaboração de atos societários de Ltdas. e S.As, de capital aberto e fechado; participação em M&A, IPOs, Private Placement), bem como em transações imobiliárias e questões envolvendo mercado de capitais e compliance. De 2007 até 2018 criei e gerenciei departamentos jurídicos de empresas nacionais e transnacionais. Atualmente atuo como consultora jurídica corporativa e como diretora jurídica na startup de geração distribuída Sunalizer, com atuação nacional e internacional. Forte experiência no regulatório de energia e GD, de 2007 a 2012 e 2018-atualmente, de mercado de capitais e de construção de torres para suporte às antenas de empresas de telecomunicações (desde 2013). Professora da Escola Superior da Advocacia (ESA-SP), entre 2001 e 2002, na matéria de Prática em Processo Civil, bem como assistente de professor na matéria Direito Privado I e II, na Faculdade de Direito da USP, durante o ano de 2007. Especializações: Consultivo civil/empresarial (Contratos) e societário; M&A e atuação em estruturações de operações financeiras; mercado de capitais; regulatório de energia e telecomunicações. Meu site é: deaalex.wordpress.com. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/6450080476147839


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