Procrastinação na Advocacia

Segredos Revelados


Por Thaiza Vitoria em 01/02/2019 | Comentários: 0

 

Quase todos os advogados possuem algo que precisa ser feito, e que é procrastinado. Brian Tracy, um dos mestres da gestão do tempo, indica em seu livro “descasque seu abacaxi”, que não adianta ficar carregando sacolas de abacaxis de um lado para o outro. Uma hora você vai ter que descascar ou terá que desistir de comer os benditos abacaxis.

Se você já tentou andar por aí com abacaxis nas mãos, sabe que é uma experiência pouco agradável. Você se espeta a todo o momento e simplesmente tem que sofrer esse incômodo, até tomar a atitude de descasca-lo.

Você pode ter aquele abacaxi da defesa que vai se tornar um prazo fatal em algumas horas, ou o abacaxi da digitalização daquela pilha de documentos, quem sabe o abacaxi da conversa chata com o seu sócio, talvez aquele puxão de orelha na secretária, quem sabe o abacaxi das atividades físicas, sem contar com o abacaxi daquele artigo do seu plano de marketing.

O lema do procrastinador profissional é: “Deixe para amanhã o que você pode fazer hoje” ou “Porque fazer hoje o que você pode deixar para amanhã?”. Muita gente tem tempo de sobra para fazer as suas tarefas com tranquilidade, mas só as executam quando o prazo está estourando.

E isso é um hábito que pode dominar a vida inteira de uma pessoa, tanto na área profissional quanto na pessoal, podendo se tornar bastante prejudicial em alguns casos. Os procrastinadores se “sabotam” a fim de evitar fazer algo que eles não querem.

Você já deve estar cansado de ler e ouvir um monte de textos sobre procrastinação, o que só reforça o quanto tem se sabotado. Mas e ai? Como sair disso?

O primeiro passo é conhecer uma verdade.

Advogados comuns que desenvolvem o hábito de estabelecer prioridades claras e concluir tarefas com rapidez irão colocar no bolso aqueles geniais que falam muito e fazem planos maravilhosos, mas que realizam quase nada.

A forma mais comum de procrastinação ocorre quando os seus verdadeiros objetivos não são claros o suficiente. E essa falta de clareza pode acabar com sua iniciativa porque prejudica a motivação (MOTIVO da AÇÃO), eis o primeiro segredo para gerenciar a procrastinação, a clareza!

Você provavelmente se sinta, às vezes, sufocado com tantas coisas para fazer e pouco tempo para dar conta de tudo.

Mas quando você coloca tudo no papel, ou pelo menos transporta da cabeça para um veiculo físico qualquer, então será capaz de criar distanciamento emocional, vendo as coisas de forma integrada, didática. Eis o segundo segredo para gerenciar a procrastinação.

Agora relembre comigo, sabe aquele professor que você mais gostava na faculdade? Aquele que parecia ter o dom de simplificar a vida alheia? Pois é, doutores!

Esse professor dominava o terceiro segredo do gerenciamento da procrastinação, a didática, algo que você também possui, mas nas áreas mais queridas da sua vida. Vamos lá, vou simplificar.

Se você agisse como esse querido professor, criaria uma aula didática chamada sua advocacia e faria um cronograma que fizesse sentido. Agindo assim, poderia eleger facilmente o que é útil ou descartável no seu plano de vida.

Em 1895, o economista italiano Vilfredo Pareto percebeu que 20% das pessoas ganhavam 80% do dinheiro, enquanto 80% das pessoas tinham pouco dinheiro. Ele também descobriu que este raciocínio aplicava-se a toda atividade econômica.

As 20% das tarefas da sua agenda geram 80% dos lucros. Os 20% dos seus clientes são responsáveis por 80% dos seus contratos fechados, 20% dos seus amigos são responsáveis por 80% de melhorias na sua vida e por ai vai...

Essa teoria é conhecida como Lei de Pareto e significa que se você tem uma lista com 10 coisas para fazer, apenas duas delas vão gerar 80% do retorno de toda a sua lista.

A nossa tendência, contudo, é procurar resolver primeiro os itens mais simples, o que já traz uma boa sensação de realização, confesso. No entanto, esses itens podem não ser significativos para a sua produtividade jurídica no fim das contas.

Eu entendo que a procrastinação deve ser escutada para ser gerenciada. É total perda de energia ficar se torturando porque não fez o que tinha que fazer.

A procrastinação é útil para a alta performance, na medida em que ela está revelando algum desalinhamento com seu propósito, com o que te realiza, com recursos internos ou externos disponíveis e com seus talentos primários. E você vai continuar brigando com ela?

A procrastinação precisa ser gerenciada e não fuzilada! Esse é o quarto segredo sobre a nossa conversa procrastinadora. Não é tão fácil entender a motivação por trás da procrastinação, mas aqui estão algumas razões comuns: medo do fracasso ou mesmo do sucesso, medo de tomar uma má decisão, busca de uma adrenalina movida a pressão, rebelião contra pais controladores ou outras figuras de autoridade.

A mente humana foi projetada para buscar o prazer e evitar a dor.  A declaração do Imposto de Renda é um ótimo exemplo. Quase todos os brasileiros deixam para a última hora

Acontece que o fato de não gostarmos de algo não significa que não possamos fazer algo a respeito disso, seja delegando, seja fragmentando a tarefa para que fique menos odiosa. A única coisa que não vai funcionar é ignorá-la. Não adianta, ela não vai se decompor sozinha  :)

Se você espera que uma tarefa vai ser difícil de cumprir e que vai exigir bastante tempo de você, sua tendência natural vai ser tentar adiá-la o máximo que conseguir.

Para nos proteger dessas situações, acabamos não nos arriscando em tarefas que desafiem a nossa autoestima e tentamos adiá-las o quanto for possível. Mas esse adiamento só aumenta a dor inconsciente, afinal, você sabe o quando sente orgulho de si quando cumpre suas promessas.

Faça as pazes com a procrastinação! Ela é apenas uma mensageira de que algo está equivocado em suas escolhas. Não mate o mensageiro, calando a sua voz, pois quanto mais você fizer isso, mais força ela terá! Tudo que você resiste, persiste!

Agora vamos fazer um exercício simples. Escreva 3 coisas que você procrastina e que sente constrangimento por adiar:

1.

2.

3.

Agora reflita: para que essas coisas te servem?

R=

Agora que você identificou sua serventia, responda: existe alguma possibilidade dessa atividade ser delegada para outra pessoa? Se sim, quem seria essa pessoa?

R=

Por fim, responda: Se você pudesse escolher, o que faria no lugar dessa coisa adiada?

R=

FINALIZANDO: Guarde esse papel e faça um compromisso de não tocar nesse assunto por 15 dias. Depois desse tempo, note se houve alguma mudança de percepção quanto a essas tarefas e comente aqui.

Aguardo vocês!

 


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Sobre o autor

Thaiza Vitoria

Especialista em inteligência emocional, advogada e Master Coach, tem dedicado os últimos 10 anos ao desenvolvimento de métodos que ajudam os advogados a atingirem o máximo de potencial em sua atuação. Já treinou pessoalmente mais de 90.000 advogados e alcançou a marca de 5.380 horas em atendimentos individuais de coaching jurídico.


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