Advocacia da incerteza

Gerenciando o medo do fracasso


Por Thaiza Vitoria em 01/02/2019 | Comentários: 0

 

Sabe quando você está fazendo o seu melhor, dentro do que você acredita que vai funcionar na advocacia, mas o resultado não chega, e quando chega, não é suficiente para resolver efetivamente os problemas?

Talvez, em algum momento, você acreditou que havia feito a melhor escolha elegendo o direito, mas eis que percebe que lidar com 1 Milhão e 200 mil concorrentes (fora os paralegais) pode ser a tarefa mais difícil da sua vida.

Concorda que hoje é cada vez mais fácil “parecer” um expert nas redes sociais?

Mas não é só isso, a produtividade jurídica também é um fator concorrencial. Alguns protocolam em tempo recorde (e com muita qualidade), e para piorar as coisas, com preços mais baixos do que a tabela da OAB.

Acontece que o drama nunca se limita ao trabalho, ele também começa a atingir a nossa família. Aqueles que têm mais sorte de ter uma parceria que contribui com a renda, ou que recebe apoio financeiro dos pais, lidam com os desafios da dependência, e ai vêm as indiretas, cobranças, ameaças veladas, o desrespeito, a desvalorização e o desprezo.

A primeira coisa que sai pela janela quando a escassez entra pela porta, é a admiração.

Só desejamos mais um pouco de segurança, e o que mais gostaríamos de ter é um apoio efetivo para isso, nos sentirmos amparados novamente, fazer o nosso trabalho sem ter que esgotar toda a energia, ter um ganho previsível para manter a família (e/ou nossas necessidades) preservada enquanto ajudamos a sociedade, fazendo o que sabemos fazer melhor, que é operar o Direito.

E, às vezes, você pode se perguntar: por que tem que ser tão difícil?

Parece com uma forma de vida à conta gotas, onde você se questiona se faz algo de errado, se está pagando por algo, mas não consegue entender...

Esse cenário é típico de advogados autônomos (atuam sozinhos ou em parceria) que escolheram o caminho da incerteza por três motivos principais:

1. Ganham mais trabalhando para si: intuição sobre o próprio potencial.

2. Produzem melhor com as próprias regras e no próprio tempo: resistência a se adaptar a outros sistemas.

3. “Dão o seu jeito” com o que aprenderam até o momento: dificuldade de atender os requisitos do mercado de trabalho ou carreiras públicas, pois mesmo enfrentando as incertezas de atuar por conta própria, dificilmente obteriam um salário equiparado ao seu faturamento atual.

E não é que parece que existe uma força maior que impulsiona os advogados autônomos a continuarem, mesmo quando escutam da esposa, do marido, dos pais, dos amigos: “Porque você não faz concurso? Porque você não procura um emprego? Porque você não roda de uber? Por que você não trabalha comigo?”.

Eu conheço a fundo essa realidade porque enfrentei isso na época em que eu advogava, e até eu começar a funcionar na advocacia com a mentalidade empresária, tive que investir muito na minha inteligência emocional (e ainda invisto milhares nisso) para viver bem nas crises.

Esse sentimento de desamparo, nos levar a perceber um mundo sem oportunidades para todos, onde parece que a independência financeira não é para nós, e que o futuro nos reserva algo tão amedrontador que não podemos descansar.

Por sua vez, sem podermos descansar, não usufruímos da vida, não autorizamos a criatividade, não conhecemos novas pessoas que possam nos apoiar e não enxergamos soluções...

Esse descanso a qual eu me refiro não é o repouso do corpo, mas o repouso emocional, aquele que nos lembra uma sensação de paz, mesmo sem termos conquistado a satisfação desejada.

Esse descanso não é privilégio de pessoas desapegadas, irresponsáveis ou sustentadas por terceiros, mas sim o estado natural de quem desenvolve a inteligência emocional.

Há muitos anos eu me cansei de frases motivacionais que pregam a filosofia de Poliana, pois para mim, o jogo do contente, ver o mundo com lente cor de rosa, focar no lado positivo e ser grato, só funciona mesmo quando não temos mais para onde descer. Pelo menos é assim que vejo acontecer com a maioria dos advogados que eu atendo.

Na vida real, aquela sem maquiagem, aquela em que vivemos depois de tirar a selfie, não adianta muito falar em pensamento positivo com uma pilha de boletos sobre a mesa... Não dá para falar em gratidão quando o seu filho pede pelo 3º ano uma viagem de férias, e você tem que repetir a mesma desculpa: apertou, filho... Seguida da mesma promessa: próximo ano a gente vai, prometo.

Só quem já passou por isso sabe qual é o sabor amargo da incerteza.

Mas a questão é que também não adianta esperar que tudo se resolva para ser feliz, isso também não é real, é apenas um novo tipo de ilusão e não vai acrescentar 1g de segurança na sua vida.

Não é maduro suspender a própria existência, criando uma morte em vida, enquanto os resultados não chegam...

Por isso que precisamos aprender a criar um centro de comando interno, um lugar dentro de si onde as coisas funcionam, mesmo que externamente o cenário seja cada vez pior.

Por quanto tempo é sustentável para você viver refém das próprias emoções?

Para haver paz na incerteza, é fundamental que você tenha suas necessidades atendidas, eu sei, mas para isso acontecer, é necessário gerenciar suas emoções primeiro – nem as valorizando demais, nem de menos, apenas se mantendo em um estado de neutralidade.

Em linhas gerais, a real liberdade, aquela que tanto desejamos sentir nos momentos de crise, nasce da plenitude de quem já se libertou do medo do fracasso. Só assim você consegue criar uma autonomia emocional para percorrer os dilemas da rotina gastando menos energia.

Minha proposta para girar essa chave definitivamente é que você comece a trabalhar as emoções e os pensamentos que sustentam esse padrão de ansiedade, e dificilmente um vade mecum fará isso por você.

Agora me conta: o que você tem feito para lidar com as incertezas da profissão?

Obrigada pelo seu tempo.

 

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Sobre o autor

Thaiza Vitoria

Especialista em inteligência emocional, advogada e Master Coach, tem dedicado os últimos 10 anos ao desenvolvimento de métodos que ajudam os advogados a atingirem o máximo de potencial em sua atuação. Já treinou pessoalmente mais de 90.000 advogados e alcançou a marca de 5.380 horas em atendimentos individuais de coaching jurídico.


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