Advocacia Bird Box

As informações aqui contidas destinam-se exclusivamente àqueles dispostos a tirar a venda.


Por Thaiza Vitoria em 01/02/2019 10:35 | Comentários: 0

 

A cada ano, 25% a 40% dos advogados manifestam algum processo crônico de estafa mental, sendo o stress, a maior causa de prejuízo funcional e afastamento das atividades jurídicas.

Atualmente, cerca de 30% dos novos escritórios jurídicos encerram as atividades em menos de um ano.

Frequentemente eu recebo centenas de e-mails de colegas relatando que a carreira não decola, e que a cada dia que passa o desânimo com a profissão supera o sonho de viver da advocacia, mas a maioria resiste em olhar para as causas reais dessa situação.

Muitas vezes o problema não é a advocacia (direito e gestão de prazos), mas sim o advogado, ou melhor, o seu grau de inteligência emocional.

Essa problemática está retratada no filme “Bird Box”, protagonizado por Sandra Bullock, e que estreou na Netflix já fazendo barulho e dividindo opiniões.

O filme mostra o período em que vivemos no qual depressão é a doença do século e ninguém está totalmente imune.

Esse adoecimento contemporâneo pode ser visto na enorme quantidade de pessoas com transtornos mentais (depressão, pânico, toc, TAG), além do isolamento social, a compulsão tecnológica, o excesso de informação sem uso, e etc.

Os desafios "Bird Box" não são privilégios dos advogados, na outra ponta, os estudantes de direito também veem suas perspectivas profissionais sem grande ânimo. Os concursos tornaram-se extremamente difíceis, e a concorrência na advocacia tornou-se aterrorizante.

Professores de Direito queixam-se de má remuneração, e alguns relatam a diferença de R$ 7,00 entre especialização e doutorado, pasmem.

Nas faculdades onde os salários são melhores, os docentes reclamam da pressão pela publicação de artigos, dificuldade de financiamento para pesquisas, e outras exigências que elevam a pontuação da instituição junto à Capes.

Advogados empregados de médias e grandes bancas costumam queixam-se de trabalho excessivo e da falta de reconhecimento, deixando-se levar ao desânimo, e em muitos casos, à depressão.

Metaforicamente, a travessia do rio no filme "Bird Box", representa a jornada diária que temos que fazer para não sucumbirmos, porém, essa travessia não é um caminho fácil, mas cheia de quedas d'água.

Quantas vezes na nossa vida nos vemos em um beco sem saída? Sem saber qual decisão tomar?

Percebam também que o desânimo não contempla apenas os menos afortunados financeiramente.

É muito comum na minha rotina atender serventuários ricos que lidam há décadas com a depressão.

No campo dos líderes, um sócio sênior, por exemplo, também não está blindado, afinal, ele é constantemente pressionado pelo cliente para apresentar resultados, além de ter que liderar equipes também desmotivadas pela falta de autogestão.

Não há como fugir da gestão emocional, ela está em tudo, e para lidar bem com tudo isso é preciso ter integridade.

Integridade é estar inteiro, e só está inteiro quem sabe o que quer, e, por sua vez, só sabe o que quer aquele que se conhece, e, finalmente, só se conhece QUEM SE ESTUDA.

Se você é um profissional que se estuda e não tem medo de gerenciar o próprio comportamento, então você está à frente de 75% dos colegas que vivem na linha tênue entre cansaço e depressão.

Quando você entende que existem oportunidades excelentes postas à mesa e que tudo o que você precisa fazer é esticar o braço para pegar, tudo fica muito mais fácil.

É exatamente assim que os advogados autogerenciáveis pensam. Eles já entenderam que as duas chaves da virada são:

1. Ver a oportunidade (visão limpa)

2. Esticar o braço para pega-la. (atitude)

O que vem depois disso é mera consequência lógica de um trabalho bem feito, e apenas nesse ponto eles têm total controle.

Eles já sabem que existem ótimas oportunidades à sua disposição, isso porque o seu diálogo mental é reprogramado para ver um mundo que a maioria não vê, e isso é treino, não é talento.

E aqui vem o GRANDE segredo. Preste bem atenção nisso.

Na atualidade, a maioria dos advogados funciona na chamada advocacia vendada, uma modalidade que consome 80% da energia vital, gerando 20% de resultados, enquanto que a minoria, aquele grupo que se estuda e mapeia o mercado, dedica 20% de energia para obter 80% de ganhos.

A modalidade advocacia vendada, pode ser ótima para dar os primeiros passos e nos proporcionar a sensação de segurança processual, de fato, isso o operacional nos dá. Mas dificilmente criaremos independência atuando prioritariamente nesse modelo.

E o insucesso do padrão advocacia vendada acontece por alguns motivos bem simples, mas o principal deles é:

FALTA DE RECONHECIMENTO. Infelizmente, a nossa sociedade ainda não consegue enxergar os benefícios de um advogado 100% disponível (refém das circunstâncias), e não costuma pagar o preço justo por isso.

Em outras palavras, atuar na advocacia vendada é uma constante batalha de convencimento. O colega é colocado à prova a todo o momento, quando na verdade, existe um caminho mais fácil, rápido e financeiramente lucrativo: Se qualificar para trabalhar com clientes/chefes qualificados.

Mas onde eles estão?

Fazendo analogia ao filme, onde estão os pássaros e a comunidade que vive feliz sem as vendas?

Certamente estão próximos à advogados que reconhecem o próprio valor e que já tiraram a venda, mas como eu já disse, isso é treino, não é talento.

Independentemente da ficção do filme "Bird Box", o significado real da história é de esperança. Quando Malorie libera seus pássaros e nomeia seus filhos, ela finalmente aceita que a vida pode ser algo mais do que a mera sobrevivência.

E você, acredita que a advocacia é mais do cumprir prazos, e que a vida é mais do que pagar contas?

Conte-me nos comentários como tem feito para tirar a venda da sua advocacia e criar melhores resultados. 


Professor Instituto IbiJus

Thaiza Vitoria

Especialista em inteligência emocional, advogada e Master Coach, tem dedicado os últimos 10 anos ao desenvolvimento de métodos que ajudam os advogados a atingirem o máximo de potencial em sua atuação. Já treinou pessoalmente mais de 90.000 advogados e alcançou a marca de 5.380 horas em atendimentos individuais de coaching jurídico.

Outros artigos de Thaiza Vitoria

Comentários

Para comentar este artigo basta fazer login ou cadastrar-se gratuitamente!