Saques da poupança em outubro superam aplicações em R$ 3,26 bi


Por Inara de Pinho em 06/11/2015 | Comentários: 0

Foi o pior outubro da série histórica do Banco Central, iniciada em 1995. Mais de R$ 57 bilhões saíram da poupança em 10 meses.

A retirada de recursos superou as aplicações na caderneta em R$ 57,05 bilhões de janeiro a outubro deste ano, informou o Banco Central nesta sexta-feira (6). É a maior retirada líquida de valores dessa modalidade de investimento para os 10 primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do BC, em 1995.

Resultado da poupança

Somente em outubro, a saída de recursos da poupança, ainda de acordo com dados oficiais, somou R$ 3,26 bilhões - o pior resultado para meses de outubro da série histórica, iniciada em 1995.

Outubro representou o 10º mês seguido de captação líquida negativa neste tipo de aplicação financeira. Na comparação com setembro, entretanto, quando foi registrado resultado negativo de R$ 5,29 bilhões, houve uma desaceleração das retiradas.

Com a forte saída de valores da poupança no acumulado deste ano, o volume total de recursos aplicados na caderneta recuou. No fim do ano passado, o estoque de recursos na poupança totalizava R$ 662,7 bilhões, passando para R$ 644 bilhões em outubro.

A saída de recursos da poupança acontece em um momento de crise econômica e recessão, com alta de tributos, do desemprego, da inflação e do endividamento das famílias.

Menos recursos para a casa própria

A queda do volume de recursos aplicado na caderneta de poupança também está impactando os financiamentos imobiliários, uma vez que a modalidade é fonte de recursos para a casa própria. Pelas regras, os bancos precisam destinar 65% dos saldos da poupança para o crédito imobiliário.

Economia em recessão

A forte evasão de recursos da caderneta acontece em um momento difícil da economia, de recessão técnica, com queda do PIB por dois trimestres consecutivos, alta da inflação (que em 12 meses até agosto acumula alta de 9,53%), e também dos juros básicos da economia, atualmente em 14,25% ao ano.

O desemprego, por sua vez, também não para de aumentar. A taxa registrada nos 3 meses até agosto deste ano ficou em 8,7%.

Rentabilidade baixa

Para completar o quadro, a poupança tem perdido atratividade frente a outros investimentos. Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% ao ano, como atualmente, está limitado em 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).

Com a taxa básica de juros da economia atualmente em 14,25% ao ano, a caderneta de poupança perde para os fundos de renda fixa na maior parte das situações, segundo estimativas da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Segundo economistas, o momento também é bom para investir no Tesouro Direto – programa criado em janeiro de 2002, os investidores pessoa física podem comprar títulos públicos pela internet, por meio de um banco ou corretora, sem precisar aplicar em um fundo de investimentos. O Tesouro Direto, inclusive, tem batido vários recordes neste ano.

Fundo de reserva

Especialistas avaliam que a caderneta de poupança, apesar da perda de rendimento com o processo de alta dos juros, ainda pode ser uma boa opção, mas somente em poucos casos. Pode ser uma boa alternativa, por exemplo, para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências – uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

Fonte: G1

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Sobre o autor

Inara de Pinho

Mestre em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável. Especialista em direito público, gestão florestal e de recursos hídricos. Mais de 20 anos de carreira construída a partir da advocacia empreendedora e na docência do ensino superior. No Ibi Jus atua com a gestão acadêmica, coordenando a equipe de professores e a criação de cursos/eventos de extensão, primando pela oferta de conteúdos aplicados à prática da advocacia com foco na busca de resultados. Como advogada, auxilia empresas na gestão jurídica-ambiental. É consultora do Centro de Excelência em Gestão, atuando especialmente com a gestão empresarial sustentável, voltada para a obtenção e manutenção de certificações ambientais. Faz parte da equipe de auditores da área de meio ambiente da multinacional Bureau Veritas Certification.


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