Até quando vai a crise econômica brasileira?


Por Inara de Pinho em 28/10/2015 | Comentários: 0

Segundo as análises de especialistas, a economia brasileira vai demorar para superar a crise. Na percepção de economistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central e analistas consultados pelo G1, o mercado já vê o dólar acima de R$ 4 até 2019, o PIB médio negativo para o segundo mandato de Dilma, juros mais altos e inflação maior, acima, pela média, de 6,3% – com novo crescimento em relação aos quatro anos anteriores.

De modo geral, os analistas acreditam que a piora do quadro está relacionada, principalmente, com as dificuldades do governo em acertar as contas públicas, o que deve impactar, ainda mais, as taxas de emprego nos próximos anos.

Crise interna

"Por mais que a economia internacional tenha contribuído para o quadro de dificuldades, a crise no Brasil é fundamentalmente interna e do setor público. O que mina a confiança dos agentes e causa instabilidade. Reverter esse quadro é crítico e está se mostrando muito demorado. Uma crise fiscal dessa magnitude, talvez você tenha um período longo como a Europa teve. Em alguns países da Europa, você tem quatro ou cinco anos. Eu diria que, de certo modo, pode ser um segundo mandato inteiro de ajuste", avaliou o chefe da Unidade de Política Econômica da CNI, Flavio Castelo Branco.

Adriano Gomes, sócio-diretor da Méthode Consultoria e professor do Curso de Administração da ESPM, também acredita que o ajuste na economia poderá demandar todo o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. "É bem por aí. Na economia real, você tem quebra das empresas, falência grande, desemprego elevado e empresas com pedidos de recuperação judicial como nunca se viu. O ajuste fiscal está jogando a economia mais ainda na recessão. A CPMF é um imposto perverso, cumulativo. Nasce no primeiro elo da cadeia e vai até o consumidor final", avaliou ele, que defendeu um corte maior nos gastos para equilibrar as contas públicas ao invés de alta de tributos.

Previsões para o PIB

Segundo pesquisa do Banco Central com mais de 100 instituições financeiras, o Produto Interno Bruto (PIB) terá dois anos de retração, em 2015 e 2016, de respectivamente, 2,97% e de 1,20% – algo que não ocorre desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1948.

A previsão é de um retorno ao campo positivo somente em 2017 (+1%), avançando para 2% de alta em 2018. Mesmo assim, no segundo mandato da presidente Dilma, ficaria negativo, pela média, em 0,29% – a pior marca desde o governo Collor, que registrou média negativa de 1,28% entre 1990 e 1992. No início de 2015, a estimativa era de um crescimento médio do PIB de 1,7% no segundo mandato de Dilma.

Gestão das contas públicas: a 'mãe' de todos os problemas

Segundo Adriano Gomes, a "mãe" dos problemas da economia brasileira é a gestão das contas públicas.

"Nós vemos uma queda constante do superávit primário nos últimos anos, até que se chegou ao desastre total com as tais pedaladas fiscais, que estão na ordem do dia. As agências de risco têm a mesma visão. Elas acompanham não só este indicador, mas também o aumento da dívida pública, chegando a um número que elas consideram crítico, na casa de 65%. Isso fez com que o país perdesse o grau de investimento", avaliou ele.

Os economistas das instituições financeiras, consultados pelo BC em sua pesquisa semanal, abrangendo mais de 100 bancos, não acreditam que o governo conseguirá levar adiante o ajuste nas contas públicas prometido. A meta deste ano é de um superávit primário de 0,15% para todo o setor público (governo, estados, municípios e empresas estatais), ou R$ 8,7 bilhões. Até agosto, porém, o resultado está deficitário em R$1,1 bilhão.

Os escândalos de corrupção e a fragilidade política

Segundo análise da agência Moodys, além da deterioração das contas públicas, as turbulências políticas e as investigações da operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobras, levaram à uma queda do emprego, do consumo e dos salários, levando a uma retração do PIB em 2015 e 2016.

"O quadro político está muito desgastado para fazer ajustes na magnitude em que eles são necessários, como alterar regras de benefícios previdenciários, assistenciais e regras de vinculação de despesas. Mudar o processo orçamentário. Tudo isso exige maiorias legislativas significativas. Se sele conta no ajuste fiscal com os recursos dessas medidas, e se há dificuldade em aprová-las, isso passa um ambiente de incerteza e instabilidade. O que é mortal para a retomada da economia. O investimento é a mola para iniciar um processo de retomada", avaliou o Flavio Castelo Branco, da CNI.

Alta do Dólar

Aos olhos dos economistas dos bancos, o dólar alto veio para ficar. A previsão é de que o dólar termine este ano em R$ 4, avance para R$ 4,15 no fechamento de 2017, termine 2017 e 2018 em R$ 4 e que suba para R$ 4,11 no fim de 2019.

Essa, porém, é uma estimativa sujeita a erro, uma vez que os próprios economistas costumam dizer que Deus inventou o câmbio para lhes ensinar humildade. Nesta semana, por exemplo, a moeda americana já está operando ao redor de R$ 3,80.

Inflação

No campo da inflação, as previsões dos analistas ouvidos pelo BC em sua pesquisa semanal também estão piorando no curto prazo, colocando em xeque a meta do Banco Central de trazer o IPCA para a meta central de 4,5% em 2016 - embora estejam melhores para 2017 e 2018. O objetivo de atingir a meta central de inflação de 4,5% em 2016 foi anunciado no fim do ano passado e, até o momento, ainda não foi alterado.

Taxa de juros

Mesmo sem atingir a meta central de inflação de 4,5% até 2018, o mercado financeiro também não prevê que a taxa básica de juros da economia brasileira, atualmente em 14,25% ao ano - o maior patamar em nove anos e os juros reais (após o abatimento da inflação estimada para os próximos 12 meses) mais altos do mundo - caindo fortemente. A previsão é de que a taxa recue para 12,63% ao ano no fim e 2016, para 11% ao ano no fechamento de 2017 e para 10% ao ano no fim de 2018, ou seja, ainda no patamar de dois dígitos até o fim do segundo mandato de Dilma Rousseff.

O que fazer?

Manter-se informado é fundamental. Agir com parcimônia também. Empreender, quem sabe?

Mas, é bom lembrar que tais análises são previsões que podem se confirmar ou não. Embora, o cenário não seja dos melhores, é nos momentos de crise que criamos fôlego para agir, empreender e sair da zona de conforto, justamente, porque essa pode não ser mais tão confortável como era antes.

Portanto, mesmo com tantas previsões negativas, sempre há possibilidades para aqueles que querem mudar o rumo da sua própria história para melhor!

Fonte: G1

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Sobre o autor

Inara de Pinho

Mestre em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável. Especialista em direito público, gestão florestal e de recursos hídricos. Mais de 20 anos de carreira construída a partir da advocacia empreendedora e na docência do ensino superior. No Ibi Jus atua com a gestão acadêmica, coordenando a equipe de professores e a criação de cursos/eventos de extensão, primando pela oferta de conteúdos aplicados à prática da advocacia com foco na busca de resultados. Como advogada, auxilia empresas na gestão jurídica-ambiental. É consultora do Centro de Excelência em Gestão, atuando especialmente com a gestão empresarial sustentável, voltada para a obtenção e manutenção de certificações ambientais. Faz parte da equipe de auditores da área de meio ambiente da multinacional Bureau Veritas Certification.


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